sábado, 25 de maio de 2013

Quando a brisa sopra...

Orvalho sobre as folhas num prenúncio que mais um dia está nascendo.

Olho pela janela do quarto e me deparo com aquela bola de fogo que sai por trás do mar... Um mar tranquilo e sereno que não demonstra se incomodar com tal calor que parece tocar em sua superfície.

Tal como o sol toca a água, ele nos toca também. Talvez a sensação do toque seja diferente. O calor a esquentar a pele e o vento a desalinhar os cabelos e encher os pulmões de um ar tão fresco e suave que me impulsionam e encorajam a seguir o dia com força e fé nas providência divina que DEUS me reservou para aquele dia.
Deveríamos ser pessoas inovadoras, desafiadoras, transgressoras, nem que fôssemos por um só momento, por um só motivo. Mas nem todos nós somos. De fato, não somos.
A vida passa rápido demais e o presente que nos foi dado quando nascemos, por vezes, nem o usamos direito, e, quando não, descobrimos tarde demais onde se ligava o "Enter" de nossa felicidade nesse brinquedo chamado Vida.
Questiono-me  muitas vezes quão diferente poderíamos agir, e o quanto desperdiçamos nossas vidas. Viver pela metade, devagar, pausadamente, negligenciando as oportunidades de felicidade que por vezes batem à nossa porta e não a identificamos corretamente.

Deixar a felicidade passar batida é um risco temerário que corremos quando achamos que aquela não era bem a chance que buscávamos. Mas como ter a certeza ? Como não se enganar ? Recuperar a chance perdida é quase tão difícil, quiçá impossível, como "despisar" a pedra tocada um segundo atrás. 
Oportunidades vêm e vão, e esse é o medo maior que devemos ter . Até quando elas terão esse movimento de onda de mar ? Maré baixa, maré cheia, maré baixa, maré cheia ...  Quando elas se apresentam  a nós, muitas vezes não a pegamos por acharmos que "a maré" vai trazê-las de volta noutra oportunidade, mas nem sempre a trazem. 
Lembro-me de uma história que li sobre uma das expedições de Amir Klink à Antartida, quando ele conta que, assim que chegou lá presenciou um fenômeno extraordinário, e que, na oportunidade não o registrou por algum motivo irrelevante, pois, achava que depois poderia registrar com mais calma. Ele ficou nessa expedição por um ano ou mais, mas aquele evento não se repetiu e ele perdeu aquela oportunidade única que lhe foi dada e que deixou passar por pensar que teria uma nova chance.
Muitas vezes nos sentimos nesse vazio de expectativas. Não contribuímos com o movimento da maré, e assim, sentimos o peso desse marasmo. Sentimos pelas horas que passam e que não edificamos a nossa felicidade nelas. O vazio que nos bate é do mesmo tamanho do grito ensurdecedor que tenta ecoar em nossos ouvidos e que cansamos de tanto ouvir. 

Poderíamos construir histórias diferentes, mais alegres, mais coloridas, menos solitárias. Não deveríamos  ter medo do escuro, mas sim da solidão. A solidão desacompanhada. A felicidade não construída talvez seja mais cruel com o passar do tempo do que aquela desconstruída. O vazio dos dias, do dia após dia, do não fazer, do deixar de fazer, do deixar de viver ...

O dia segue e, ao movimentar do sol, do leste ao oeste, a vida vai seguindo também no seu compasso ritmado para todos nós, esperando que ajamos na busca do direito de sermos felizes.


Foto: Arquivo pessoal

                           

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