sábado, 22 de junho de 2013

Amarras soltas. É hora de voar ....

Ser livre e sentir-se preso é tão comum entre as pessoas, que as amarras que as prendem, por vezes, são mais fortes que o mais forte dos  metais, embora só existam em suas mentes e/ou seu corações.
 
Ser livre, como questão de opção, deveria ser a opção mais razoável a se fazer, mas não para todo mundo essa escolha é fácil. Devemos então ajudar a essas pessoas a encontrarem seus caminhos e não confundi-las mais, com opiniões desarrazoadas ou  sem fundamentos.
 
Não podemos ajudar ? Então não devemos atrapalhar. Deixar que as pessoas abram suas portas, suas janelas, soltem suas amarras e busquem, principalmente o caminho da felicidade a que todos têm direito de viver.
 
A liberdade de voar alto, de correr mais rápido que for possível, de respirar o ar puro que entre pelos pulmões e nos impulsionem ainda mais, com fôlego, a buscar tudo aquilo que nos propusermos a conquistar em nossas vidas.
 
Nem passarinho gosta de gaiola, e, definitivamente a vida é muito efêmera para não voarmos com urgência em busca do nosso pedacinho da felicidade.
 
Felicidade livre de amarras para que possamos voar o mais alto que nossos sonhos conseguirem chegar.
 


                                                                                                 Crédito da foto : http://olhares.uol.com.br/o-poder-da-liberdade-foto5250846.html




sábado, 25 de maio de 2013

Quando a brisa sopra...

Orvalho sobre as folhas num prenúncio que mais um dia está nascendo.

Olho pela janela do quarto e me deparo com aquela bola de fogo que sai por trás do mar... Um mar tranquilo e sereno que não demonstra se incomodar com tal calor que parece tocar em sua superfície.

Tal como o sol toca a água, ele nos toca também. Talvez a sensação do toque seja diferente. O calor a esquentar a pele e o vento a desalinhar os cabelos e encher os pulmões de um ar tão fresco e suave que me impulsionam e encorajam a seguir o dia com força e fé nas providência divina que DEUS me reservou para aquele dia.
Deveríamos ser pessoas inovadoras, desafiadoras, transgressoras, nem que fôssemos por um só momento, por um só motivo. Mas nem todos nós somos. De fato, não somos.
A vida passa rápido demais e o presente que nos foi dado quando nascemos, por vezes, nem o usamos direito, e, quando não, descobrimos tarde demais onde se ligava o "Enter" de nossa felicidade nesse brinquedo chamado Vida.
Questiono-me  muitas vezes quão diferente poderíamos agir, e o quanto desperdiçamos nossas vidas. Viver pela metade, devagar, pausadamente, negligenciando as oportunidades de felicidade que por vezes batem à nossa porta e não a identificamos corretamente.

Deixar a felicidade passar batida é um risco temerário que corremos quando achamos que aquela não era bem a chance que buscávamos. Mas como ter a certeza ? Como não se enganar ? Recuperar a chance perdida é quase tão difícil, quiçá impossível, como "despisar" a pedra tocada um segundo atrás. 
Oportunidades vêm e vão, e esse é o medo maior que devemos ter . Até quando elas terão esse movimento de onda de mar ? Maré baixa, maré cheia, maré baixa, maré cheia ...  Quando elas se apresentam  a nós, muitas vezes não a pegamos por acharmos que "a maré" vai trazê-las de volta noutra oportunidade, mas nem sempre a trazem. 
Lembro-me de uma história que li sobre uma das expedições de Amir Klink à Antartida, quando ele conta que, assim que chegou lá presenciou um fenômeno extraordinário, e que, na oportunidade não o registrou por algum motivo irrelevante, pois, achava que depois poderia registrar com mais calma. Ele ficou nessa expedição por um ano ou mais, mas aquele evento não se repetiu e ele perdeu aquela oportunidade única que lhe foi dada e que deixou passar por pensar que teria uma nova chance.
Muitas vezes nos sentimos nesse vazio de expectativas. Não contribuímos com o movimento da maré, e assim, sentimos o peso desse marasmo. Sentimos pelas horas que passam e que não edificamos a nossa felicidade nelas. O vazio que nos bate é do mesmo tamanho do grito ensurdecedor que tenta ecoar em nossos ouvidos e que cansamos de tanto ouvir. 

Poderíamos construir histórias diferentes, mais alegres, mais coloridas, menos solitárias. Não deveríamos  ter medo do escuro, mas sim da solidão. A solidão desacompanhada. A felicidade não construída talvez seja mais cruel com o passar do tempo do que aquela desconstruída. O vazio dos dias, do dia após dia, do não fazer, do deixar de fazer, do deixar de viver ...

O dia segue e, ao movimentar do sol, do leste ao oeste, a vida vai seguindo também no seu compasso ritmado para todos nós, esperando que ajamos na busca do direito de sermos felizes.


Foto: Arquivo pessoal

                           

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

O Mar da Vida



"MAR PORTUGUÊS

 Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu."

Fernando Pessoa


Às vezes temos que cruzar mares para encontrar o que buscamos.
Às vezes movemos céu e terra para termos direito de navegar nesse mar.
Às vezes pensamos que está do outro lado, no além-mar, o que sonhamos, e nem está.
Às vezes nem nos sonhos encontramos o que parecia ser o que queríamos, o nosso ideal.
Às vezes é na busca que descobrimos que não adianta buscar.
Às vezes é no atravessar do mar que nada demais encontramos e que descobrimos que o nosso tempo foi em vão...
Mas são nesses "às vezes" que nunca devemos parar de buscar, de buscar-nos ...

Por isso, na dor do poema Mar Português, de autoria de Fernando Pessoa, a chegada mostra que haverá sempre um céu iluminado para espelhar qualquer tormenta ... E como não admirar o céu, o mar e a lua?

Seguir a navegação da nau na esperança que a lua venha sempre "pratear" o oceano da vida ...

Mas.... a vida é assim mesmo.... Na busca da felicidade corre-se o risco de nunca a encontrar.
Fazer o que ? Como disse Cora Coralina em um de seus brilhantes escritos:
"Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor. Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende. Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir".

E assim o mar da vida segue, e devemos sempre decidir por sermos felizes, e como dizem os adictos, nem que seja somente por hoje ...