quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

O Mar da Vida



"MAR PORTUGUÊS

 Ó mar salgado, quanto do teu sal
São lágrimas de Portugal!
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram!

Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar!
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.

Quem quere passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu."

Fernando Pessoa


Às vezes temos que cruzar mares para encontrar o que buscamos.
Às vezes movemos céu e terra para termos direito de navegar nesse mar.
Às vezes pensamos que está do outro lado, no além-mar, o que sonhamos, e nem está.
Às vezes nem nos sonhos encontramos o que parecia ser o que queríamos, o nosso ideal.
Às vezes é na busca que descobrimos que não adianta buscar.
Às vezes é no atravessar do mar que nada demais encontramos e que descobrimos que o nosso tempo foi em vão...
Mas são nesses "às vezes" que nunca devemos parar de buscar, de buscar-nos ...

Por isso, na dor do poema Mar Português, de autoria de Fernando Pessoa, a chegada mostra que haverá sempre um céu iluminado para espelhar qualquer tormenta ... E como não admirar o céu, o mar e a lua?

Seguir a navegação da nau na esperança que a lua venha sempre "pratear" o oceano da vida ...

Mas.... a vida é assim mesmo.... Na busca da felicidade corre-se o risco de nunca a encontrar.
Fazer o que ? Como disse Cora Coralina em um de seus brilhantes escritos:
"Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança. Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor. Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende. Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir".

E assim o mar da vida segue, e devemos sempre decidir por sermos felizes, e como dizem os adictos, nem que seja somente por hoje ...