Remexendo pertences encontrei meus desenhos que fiz quando criança.
Toda criança curte fazer "arte". Nossaaa, como eu curtia. Ao chegar na casa de minha tia aos domingos, para a visita familiar semanal , a primeira coisa que pedia era: Tia, posso pegar papel e lápis ??? A resposta invariavelmente era: Claro, querida. Como eu já sabia onde ficava, após autorização dada, já que minha mãe não admitia que chegássemos à casa dos outros metendo a mão no que não era nosso sem pedir, ia direto na primeira gaveta do móvel da sala e já pegava o material que parecia que tinha sido "abastecido" justamente para tal finalidade.
Sentava à mesa de jantar e me coloca a desenhar ... Desenhava de tudo, pintava e depois fazia as dedicatórias. Geralmente para minhas tias, que os guardavam, e anos depois os tive de volta num gesto de que seria importante para mim guardar aquele tesouro.
Os desenhos que eu fazia em minha casa permaneceram, os que eu recebi de volta, nem todos.
Alguns se perderam por terem sido "devidamente" jogados fora por uma funcionária que trabalhou em minha casa. Para ela poderiam ser apenas papéis, para mim eram muito mais que isso.
Sinto muito que as histórias que eu criava foram na leva da funcionária. Eram historinhas ótimas, ao menos, muito elogiadas, por professoras, família e todos que as liam.
Agora voltei a ter vontade, necessidade, de tornar a escrever, talvez para exercitar, pois tudo aquilo que não se é treinado fica mais difícil de ser realizado com o passar dos anos, talvez apenas para deixar num arquivo que não possa ser levado por mãos descuidadas e desinteressadas no que faz.
Blog é bom por isso, faz o papel de gaveta. A gaveta que não é física. Que não amarela as páginas, e nem as deixam com cheiro de papel guardado. Aqueles papéis que, quando já tão velhos, não podem mais ser manuseados sem causar algum desconforto para quem os folheiam. Esse papéis já não os posso guardar. As alergias adquiridas me fizeram afastar de tudo o que possa me deixar sem ar, sem voz, sem fôlego, como bolor e cheiros ativos.
O blog, com isso, veio me salvar. Salvar minhas memórias e minhas histórias. Pena que não mais aquelas já produzidas e desaparecidas fisicamente, mas quem sabe, aquelas que a caixinha da cabeça permitir aflorar o que há muito não lembrava e criar outras tantas que a vivência e a imaginação conceberem.
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Que lindo minha amiga!
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